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Trabalho / promoção do património / IGESPAR: Lojas de museus / Linha infantil

Em 1993 não era claro que lojas de museus e monumentos fossem um bem necessário, mas sentia-se que faziam falta. A polémica pirâmide do Louvre que abrigava uma galeria comercial, deu a conhecer o que os grandes museus tinham entendido: não se sobrevive apenas de receitas de bilheteira.
O então IPPAR (actual IGESPAR) que detinha a responsabilidade do património, aprendeu com os erros alheios e começou dum ponto de partida diferente.

A estratégia que a ideia,designers apresentou ao IPPAR continha um olhar novo sobre as lojas dos museus: deviam tornar-se aliadas no prolongamento do discurso sobre os museus e monumentos até às casas dos visitantes, ao mesmo tempo que constituíam uma nova fonte de receita.

Enquanto outras instituições europeias concessionavam as lojas dos museus assegurando uma área para livros e catálogos próprios e apenas supervisionando a venda de produtos potencialmente desaquados, o IPPAR deveria apostar no total controlo das lojas. Isso implicaria a criação e produção de peças de qualidade, originais, que ultrapassassem a mera justaposição de motivos do museu sobre peças existentes e previsíveis.

Essas novas criações incorporariam o discurso, a excelência, a originalidade e carácter único daquilo que representassem.

Adoptada esta estratégia inovadora, apresentámos um plano de actuação que passava por não vulgarizar nem esgotar as imagens do património. Os monumentos da zona de Belém foram o primeiro tema de uma linha infantil baseada nos Descobrimentos que incluía figuras-tipo do século XV/XVI português: o rei, a rainha, o navegador, o frade, o soldado e o marinheiro.
Através destas personagens desenhadas por nós e dos objectos que para elas desenvolvemos, procurámos contar uma parte da história, prolongando para além da visita o enriquecimento de uma ida ao Museu.

Esta abordagem que ultrapassa uma mera lógica comercial permitiu criar materiais exigentes e motivadores. O perfume “Mares” evoca os cheiros e plantas novas chegadas do Brasil enquanto o móbil relaciona a coroa e a divindade com a terra e o sol.

Esta linha de objectos tem vindo a ser desenvolvida nos últimos quinze anos. Numa primeira fase os desenhos eram ricos plasticamente, o que muito contribuiu para a sua implantação e sucesso; depois de consolidada procuraram-se soluções para a tornar apetecível a um grupo etário mais alargado. Para isso, mantivemos a estrutura mas modificámos ligeiramente a expressão das ilustrações, passando a privilegiar as linhas, os contornos, de forma a retirar alguma da carga infantil que as texturas acrescentavam.
Este é claramente um caso de sucesso.
 
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Maybe one day i'll learn Portuguese, until then, switch me to English.