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Trabalho / publicidade / IAC: Instituto Arte Contemporânea / campanha

A berma representa uma situação de indefinição, de incógnita. Faz parte da estrada pois ainda é alcatrão, mas avisa-nos do fim da rota segura, do terreno apropriado.
O Instituto de Arte Contemporânea, IAC, convidou o atelier ideia,designers para elaborar a sua publicidade, a realizar no ano de 2000. O IAC decidiu anunciar as suas exposições e edições em diversas publicações vocacionadas para a promoção de eventos culturais tais como «Agenda Cultural», «Arte Ibérica», «Flirt» entre outras.

A publicidade do IAC tem um duplo sentido: o de divulgar as actividades, o próprio Instituto e o de contribuir para a viabilização financeira de algumas publicações, cujo âmbito é pouco atraente para a maior parte dos anunciantes. Uma das actividades principais a ser divulgada é as exposições do Instituto.

O IAC definiu um programa a que chamou «rotas» e que consiste na elaboração de exposições de arte contemporânea, desenho, design, entre outras, que itineram pelo país, com o objectivo de aproximar as populações destas manifestações de contemporaneidade.

O IAC solicitou-nos a criação de um sistema que permitisse soluções diferentes, de modo a que os leitores identificassem a itinerância e a renovação dos eventos e, simultaneamente, garantindo o reconhecimento da página do IAC.

O atelier realizou um trabalho cuja primeira preocupação era a de assegurar o reconhecimento e renovação: por um lado, a compra de espaço publicitário regular numa publicação garante uma fácil identificação do anunciante, por outro, interessa-lhe a sensação de renovação permanente. Era também importante utilizar uma linguagem publicitária de espírito informativo, ou seja que a relação entre a forma publicitária e o espírito divulgador de um instituto público se equilibrassem num discurso estimulante, institucional ma non tropo e de espírito não concorrêncial.

Partindo da ideia que formou o programa rotas: a divulgacão das expressões artísticas e projectuais contemporâneas, através da itinerância, aproximando-as das populações tradicionalmente afastadas destas actividades culturais, desenhámos um anúncio dividido em duas partes. A primeira é uma imagem de uma berma de uma estrada. A imagem muda em cada nova série de anúncios (quase mensalmente). A berma representa uma situação de indefinição, de incógnita. Faz parte da estrada pois ainda é alcatrão, mas avisa-nos do fim da rota segura, do terreno apropriado, fazendo-nos entrar num território ainda circulável mas menos seguro, um local de risco, de exploração ou de saída. É uma alegoria à atitude perante a arte do nosso tempo.

Por baixo das fotografias, da autoria de Inês Frazão, que foi fotografando diferentes bermas ao longo do país, uma mancha quase igual, de cor. A cor, também ela renovada em cada série, relacionava-se de uma forma empírica com a época do ano em que era editada. A intenção era estabelecer um paralelismo sensorial com a ideia de sazonalidade editorial inerente às publicações periódicas.

A mancha de cor contém a informação sobre as exposições do IAC que se encontram em curso. A imagem do IAC aparece centrada no ponto de focagem do observador.

Dentro de cada bloco de texto referente a cada acontecimento desenvolve-se um delicado sistema tipográfico a duas cores, através do qual se pretendeu hierarquizar a informação sem recurso a dispositivos gráficos folclóricos.
 
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Maybe one day i'll learn Portuguese, until then, switch me to English.