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Trabalho / design editorial / CCB: Museu do Design / Guia do Museu

Pensado pelo Museu como uma breve história do Design, o Roteiro foi definido como um objecto de informação, para leituras mais completas.
O atelier de design ideia,designers foi escolhido para projectar o guia do «Museu do Design», do Centro Cultural de Belém. O guia foi pensado para acompanhar a visita, contextualizando-a. O nosso projecto celebra os diversos sentidos dos projectos de design, para que o visitante se aperceba das múltiplas dimensões dos objectos sem lhes retirar o carácter utilitário. A riqueza de significados e a natureza pragmática em cada projecto de design são, em nosso entender, a substância da sua longevidade e do seu sentido comercial. O guia do museu convida o visitante a uma viagem por alguns dos objectos de excelência da nossa disciplina.

Os museus de design são instituições recentes e um pouco por todo o mundo ainda se testam ideias e concepções. O Museu do Design do Centro Cultural de Belém integra a colecção Francisco Capelo; dos mais de 600 objectos da colecção foram escolhidos perto de 200 para construir o discurso museológico da 1ª exposição. Pretende-se «um Museu do Design de dimensão internacional, bem dentro do espírito aberto e característcas da instituição, que abrirá novas possibilidades de fruição estética, de educação, formação e inspiração dos actuais e futuros criadores». [J. J. R. Fraústo da Silva, Museu do Design].

A ideia ilimitada, atelier de design foi convidada para projectar o Roteiro do Museu. O Roteiro era, à data de abertura do Museu, a única edição feita pelo Centro Cultural de Belém e tem como objectivo acompanhar e informar sobre a exposição. Pensado pelo Museu como uma breve história do Design, o Roteiro foi definido como um objecto de informação, para leituras mais completas. Paralelamente a este objecto o CCB apostou na capacidade de proporcionar leituras propedêuticas da exposição, personalizadas, através de um grupo de guias que colaboram com O Museu em regime de voluntariado. Reflectindo a forma cronológica como a exposição está montada, o Roteiro pode servir como breve história do design, numa leitura sequencial; por outro lado, e respeitando a organização do museu por áreas específicas, constitui um inventário com informação específica e completa sobre cada objecto, numa leitura temática e pontual.

O formato do livro está inspirado nos guias de viagem, que proliferam um pouco por toda a parte devido à expansão da indústria turística. Os guias de viagem pressupõem a visita individual ou em pequenos grupos, motivada pela vontade de conhecimento, pela descoberta e pelo enriquecimento pessoal. Surpreendentemente, as diferentes editoras optam por formatos similares com oscilações de milímetros.

Pareceu-nos importante respeitar o aspecto da portabilidade e manuseabilidade, visto que advém do equipamento do viajante e é indicador do modus operandi do lazer e da forma de conhecimento cultural dos nossos dias. A capa do livro inclui um dado de instabilidade: se por um lado as setas indicam um caminho para cima, numa direcção evolutiva, por outro o título indica uma leitura no sentido oposto (uma reflexão histórica). Esta derrapagem de informação pretende denunciar os segundos sentidos dos objectos expostos e estimular a sua procura.

A informação quase genética que temos sobre o objecto Livro, guiar-nos-á certamente para a decisão correcta: os livros abrem da direita para a esquerda. As setas que aparecem na capa são ícones de transporte: aparecem estampadas nas caixas de cartão que embalam todos os bens de consumo. «Nas caixas estas imagens falam de conteúdos e de destinos. As imagens pictográficas falam da maneira como as caixas devem ser tratadas. Falam uma linguagem mais global. Esta linguagem precisa de ser perfeitamente clara, até porque muitos transportadores não conseguem ler linguas que lhes são estrangeiras, ou são até iliterados. Falando, independentemente de pronúncias, estes ícones simples constituem[...] - um Esperanto global das caixas. [ChrisVermaas, Eye nº31] Na contracapa vemos a imagem do primeiro metro produzido. O metro é uma invenção oriunda da Revolução Francesa e só foi instituido em 1792; os primeiros metros portáteis só aparecem em 1889 (já muito próximo do nosso século). O metro é hoje uma das línguas francas da produção industrial e motor da mundialização do sistema produtivo, permitindo até a alteração da lógica de "Made in" para "Designed in". Finalmente, as guardas do livro são o reverso destas imagens: uma caixa tipográfica na frente e a origem da medida do metro nas costas: uma décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre.

O alfabeto utilizado no miolo é o Arial, «alfabeto por defeito». O texto é pontuado por imagens colocadas numa zona de não interferência, de forma a permitir a leitura pontual. A mancha de texto e o entrelinhamento foram definidos tendo como principal objectivo a acessibilidade, evitando uma irritante «souplesse» habitual nos «livros de arte». Todas as peças expostas são inventariadas no final do guia, com uma ficha museológica completa. Existe uma edição portuguesa e uma inglesa.
 
[<][manual][>]
Maybe one day i'll learn Portuguese, until then, switch me to English.